18.6.07

soran, soran!!


apos 30 e tantas horas de viagem entre brasil, eua, tokyo e sapporo, mais dias e dias mal dormidos [aqui em hokkaido esta amanhecendo as 3h30 e o meu quarto nao eh o que se pode chamar de escuro], finalmente tivemos uma recompensinha. tivemos o prazer de assistir o festival de yosakoi soran de sapporo! \o/

quem me conhece sabe que eu nao sou la nenhuma dancarina, mas ja tive minha epoca de yosakoi soran haha

por isso, foi muito legal ver toda a cidade ficar colorida com os dancarinos. ja no metro que pegamos de casa para Oodori [bairro central, onde acontece a maioria das festas de sapporo] vimos varios integrantes de grupos de yosakoi de todas as idades em seus trajes e devidamente maquiados.

chegando no palco principal onde as apresentacoes ocorriam, nos deparamos com o chao forrado de japas, todos paramentados com seus forros pra nao molhar a bunda, chapeus e maquinas fotograficas com lentes super potentes. pensavamos que aqueles lugares eram pagos, porque eram muito bons. mas descobrimos que era de graca! eeeeeeeee
os lugares ja estavam lotados, mas, exercitando novamente a arte da cara-de-pau, conseguimos um lugar ao sol hahaha
como? o responsavel pela entrada de pessoas nos perguntou: "vcs ja tem lugar?" na boa, qq pessoa mais esperta diria que sim, ne? hahahaha

o pior eh que nem da pra sentir muito remorso, pq a rotatividade do publico eh grande, entao sempre tem um espaco vagando. os japas nao costumam assistir toda a apresentacao, apenas uns cinco grupos, no maximo.

nos da america do sul resolvemos incrementar um pouco o lanchinho que levamos pro festival e compramos vaaarios doces, petiscos e umas cervejinhas [sapporo, claroo] hahaha
na foto: yoko [hermana argentina], akie [verdadeira paraguaia] e pa-paula.

da vontade de chorar ao ver os japas dancando. eles realmente sao mto bons, passam a maior vibe boa, pulam todos juntos, gritam com toda a forca. so de lembrar, arrepia.
como em todo o matsuri que se preze, havia muita comida. hummmm

apesar dos precos salgados, eh sempre bom comer alguma coisa diferente. nesse caso, comemos uma coisa que pensando agora parece ser meio bizarra hahah

compramos uma sopa chamada kanijiru, que eh sopa de caranguejo. so que o bicho que nos comemos tinha muuito pelo e umas unhas. ficamos chupando aquelas patinhas peludas felizes da vida, mas pensando melhor agora, era meio estranho hahaha

valeu a pena conhecer!

o melhor passeio para quem nao tem dinheiro

se vc esta sem dinheiro, sem amigos, entediado num final de semana no japao, nao se desespere!!

temos a maravilhosa cadeira de massageitor tabajara-a-a-a
nela voce pode sentar, relaxar, ler um bom livro e, quem sabe, fazer amigos!
veja como eh facil:
passo 1

entre numa loja de produtos eletronicos e procure a secao de eletrodomesticos. por experiencia propria, descobri que geralmente fica perto dos secadores de cabelo

a nossa assistente de palco, paula suzuki, esta sentada numa super ultra novidade da national.
veja como eh simples e rapido! basta tirar os sapatos e colocar os pezinhos e as maos na maquina.
"uauuu, nunca me senti tao confortavel!", diz.


e nem precisa achar que esse programa eh coisa de indio, que so os caras de pau dos brasileiros tem coragem de fazer.


eh so olhar para os lados.. as maquinas estao infestadas de japas cara de pau [sim, eles existem!]



depois, eh so escolher que tipo de massagem vai querer receber e aproveitar...

*ligue agora ou nao garantimos seu dinheiro de volta!

minha amiga magrela

todo mundo sabe que aqui pros lados da asia, mais especificamente a china, todo mundo anda de bike. eu, que nao andava desde a ultima vez que tinha vindo pro japao, fiz uma nova amiga.

o nome dela eh numero 12 [apesar de que a que esta na foto deve ser a numero 9], e eh com ela que eu passeio nas tardes de sol e calor de hokkaido.

ela possui dois cadeados, um pra usar na rua e outro pra prender na garagem. mas nem sei se precisa de tudo isso realmente, porque eu duvido que algum japa vai se dar ao trabalho de roubar uma bicicleta, sendo que nas estacoes de trem milhares sao esquecidas.

coloco minha bagagem na linda cestinha e pedalo livremente, sentindo o frescor do vento sobre a cabeleira. a numero 12 eh minha companhia perfeita pra uma ida ao mercado hahaha

11.6.07

oompa loompas

andar pelas ruas do japao eh divertido.as calcadas sao floridas, os motoristas sao educados, tudo funciona perfeitamente. toda essa estrutura eh produto da organizacao desses seres, os japoneses.ao olhar para todos os lados, vemos figurinhas com dentes e pernas tortas, cabelos ora lisos, ora encaracolados, vozes nasaladas.

as vezes, sinto-me no meio de oompa-loompas, como na fantastica fabrica de chocolate. sao seres iguais, que se ocupam de tarefas diversas, e que se diferenciam pela roupa.

nas horas de folga, sacam seus enormes tefefones celulares e ficam mexendo freneticamente nos botoes. de vez em quando, encontramos uns deles debaixo de um trem, infelizmente.

ao contrario do que acontece no brasil, nao ha nada alem de japoneses. ricos, pobres, dentistas, motoristas de onibus, faxineiras, policiais, todos sao japas. aqui nao da pra distinguir a profissao de uma pessoa pelo fenotipo dela, muito menos definir estereotipos. por isso fico assustada.. todo mundo eh igual!

talvez seja por essa falta de caracteristicas fortes que os japas acabam enrolando seus lindos cabelos lisos, a ponto de fazer um ninho de passarinho e achar que estao arrasando. homens usam presilhas para prender a "franja" [veja que gay], usam sandalias que mais parecem ter saido de uma liquidacao da 25 de marco depois do carnaval.

ai ai, posso fazer um tratado sobre essas pessoas.. os japas sao taao interessantes!

12.4.07

mais despedidas


quando a gente dá tchau, é pra se despedir de alguém que você vai ver em breve.
já o adeus é uma coisa mais dramática, do tipo que você só diz quando a coisa pega de verdade.

esses dias estou falando muito tchau, uns até com carga de adeus, dado o tempo que vai levar pra rever aquelas determinadas figuras. o chato é que essa coisa de viagem pro japão quebra demais esse ritmo de novas amizades, eventos, voluntariado, boteco, comida barata e música sertaneja.

como diz um amigo meu, talvez essa fase nunca mais volte mesmo.

sábado é dia do edu ir embora. mais um dia de chororô no aeroporto, de tchaus e adeus.

5.4.07

não consigo parar

O Vento

Posso ouvir o vento passar
Assistir a onda bater
Mas o estrago que faz
A vida é curta pra ver
Eu pensei que quando eu morrer
Vou acordar para o tempo
E para o tempo parar
Um século, um mês
Três vidas e mais
Um passo pra trás?
Por que será?
...
Vou pensar
Como pode alguém sonhar
O que é impossível saber
Não te dizer o que eu penso
Já é pensar em dizer
Isso eu vi, o vento leva!
Não sei mas sinto que é como sonhar
Que o esforço pra lembrar
É vontade de esquecer
E isso por que?
(diz mais)
Ú
Se a gente já não sabe mais
Rir um do outro meu bem
Então o que resta é chorar
E talvez
se tem que durar
Vem renascido o amor
bento de lágrimas.
Um século, três
Se as vidas atrás
São parte de nós
E como será?
O vento vai dizer lento que virá
E se chover demais
A gente vai saber,
Claro de um trovão,
Se alguém depois sorrir em paz
(Só de encontrar...)

4.4.07

Do lado de cá... saudades

No início do mês de abril começaram a partir os primeiros bolsistas 2007, rumo ao Japão. Os que ficam têm milhares de despedidas para ir, tanto em bares, pizzarias, karaokês, aeroporto... e ficam pra trás, dando tchau e esperando aquela figura conhecida desaparecer entre muros e máquinhas de raio x.

A nós cabe dar um abraço forte, passar confiança para aquele que parte e sente um misto de euforia, por causa do novo desafio de morar longe, com aquele medo de ir embora, de deixar coisas e pessoas para trás. Derrubar algumas lágrimas às vezes é inevitável, dos dois lados [tanto dos que vão como os que ficam].

Alguns ainda têm a possibilidade de reencontrar os amigos mais cedo, lá no nihon, como o caso dos kenshuseis e dos ryugakus atrasados. Ficam combinando passeios do outro lado do mundo, mesmo que a incerteza paire sobre datas e locais.

Os que ficam no Brasil têm sua rotina normal, mas convivem com o Buraco. Buraco esse que aparece nos dias em que você vai pro bar com os amigos e fica faltando uma piada, ou quando você passa por um quarto e nota que onde havia agitação e bagunça a energia não funciona mais. O Buraco vai sendo preenchido aos poucos com outra rotina, outra realidade e acaba-se acostumando com ele. O fato é que ele está ali, e isso perturba.

Mas o que nos acalma é saber que daqui a pouco o Buraco será preenchido de novo.